Uma pergunta que sempre é feita por ocasião dos encontros de casais e cursos para noivos da Igreja Adventista do Sétimo Dia é a seguinte: “Relação sexual, durante as horas do Sábado, é pecado?” As respostas se dividem: Alguns respondem sim; outros não.
Vários fatores levam uma pessoa a posicionar-se diante do assunto: Sua formação cultural, religiosa, familiar e concepções pessoais sobre o Sábado, sexo e casamento.
Conhecendo a Situação
É importante lembrar que a teologia do período pós-apostólico foi influenciada por correntes filosóficas como o Gnosticismo, que com seu dualismo entre matéria, essencialmente má, e espírito, essencialmente bom, gerou dois tipos de comportamentos:
Liberalismo – Doutrina que se baseia na liberdade inconsequente para desfrutar os prazeres da carne. Seus praticantes entregavam-se ao vicio e à imoralidade. Este comportamento liberal é completamente desaprovado pela ética cristã como se observa em toda a Bíblia.
Ascetismo – Doutrina moral que se baseia no desprezo do corpo e das sensações físicas de prazer. Seus praticantes chegavam a proibir o casamento e possuíam conceitos negativos sobre o sexo. Por sua vez, em sua época Paulo condenou uma heresia que proibia o casamento (1Tm 4:3).
Interessante atentar para o fato de que muitos dos chamados Pais da Igreja defendiam o celibato. Dentre eles: São Jerônimo, Tertuliano, Santo Agostinho. E ao que tudo indica, Santo Agostinho foi o que mais influenciou o pensamento católico. Ele cria que o celibato é superior ao casamento; e que sexo no casamento somente para procriação. E, ele foi além. Se o casamento é sacramento, então o sexo é pecado venial. Segundo o Novo Dicionário Aurélio, o pecado venial é aquele “que enfraquece a graça sem a destruir”. Diríamos que seria um pecado que Deus consentiria.
O ponto de vista de Agostinho em relação ao sexo tornou-se dominante na Igreja Medieval, e foi aceito por São Tomás no século XIII. Dessa forma, tornou-se a palavra autorizada para o catolicismo posterior, como testemunharam o Concílio de Trento e os pronunciamentos dos papas mais recentes. (E. C. Gardner, Fé Bíblica e Ética Social p. 257 e 258). Por outro lado existe o pensamento hedonista de que o sexo deve ser praticado apenas para o prazer.
Esses pensamentos equivocados geraram visões distorcidas do sexo, que não correspondem à Bíblia.
O Sexo na Bíblia
Na Bíblia, o sexo é apresentado como algo bom, dádiva do Criador para o casamento com propósitos de procriação e prazer (Gn 1:27,28; Pv 5:18-19; Mt 19:16). No entanto, há algo mais nas Escrituras que merece ser estudado.
O símbolo de uma experiência maior
Em Ef 5:23 a 32, Paulo estabelece um paralelo entre o casamento humano e a união de Cristo com Sua igreja. Este simbolismo tem suas raízes no Antigo Testamento. Esta analogia evidencia por implicação que o sexo dentro do casamento não é pecado.
A relação sexual praticada por um casal que se ama é plena de significado bíblico. É o clímax de uma união física, mental e espiritual abençoada pelo Criador. Pois, este ato torna os dois “uma só carne”. Não há dicotomia entre o corpo e a alma. Não há separação entre tal unidade e santidade. Por isso, o apóstolo Paulo disse: “O matrimônio seja honrado por todos, e o leito conjugal, sem mancha…” – Hb 13:4. A palavra para “leito” aqui usada é “koite”, que significa “coabitar”. Portanto, sexo no casamento é considerado santo e a expressão maior de uma união conjugal. Se crermos assim e o considerarmos bom e santo, provavelmente, não haverá problemas em nos relacionar dessa forma no sábado.
Além disso, no pensamento hebraico o Sábado devia ser usado como um tempo para os cônjuges renovarem seus votos de fidelidade e íntima comunhão. O Dr. Samuele Bacchiochi em seu livro Divine Rest For Human Restlessness, p. 294 menciona uma prática judaica que nos ajuda a entender esta concepção: “Samuel M. Segal explica que ‘segundo a lei judaica, todo homem deveria ter relações maritais pelo menos uma vez por semana, preferivelmente na sexta-feira à noite. Desde que o Cântico dos Cânticos fala do amor entre homem e mulher, o homem precisa lê-lo ao entrar no Sábado para criar uma atmosfera de amor e afeição. E por essa razão, também, na sexta-feira à noite, durante a refeição, o homem recita o último capitulo de Provérbios no qual se enaltece a mulher virtuosa’ (The Sabbath Book, 1942 p. 17)”.
Conclusão
Não pretendemos dogmatizar, mas apresentar um ponto de vista com respaldo teológico e bíblico. Todavia, existem outros pontos de vista que devem ser respeitados. Vale lembrar que a Bíblia não é normativa quanto a esta questão. Ela apenas nos fornece elementos necessários para dizermos que a relação sexual no casamento, conforme Hb 13:4, não é pecado. E, que este ato não é somente fisiológico-hedonista, nem somente para procriação. Mas um procedimento que envolve três aspectos distintos, mas inseparáveis: físico, mental e espiritual; é uma unidade. Com base nisso pode-se fazer uma ligação entre o sábado e a manifestação maior do amor conjugal. Contudo, é importante ressaltar que algumas pessoas não se sentem à vontade para praticar este ato durante as horas sabáticas. Elas devem ser respeitadas. Afinal a semana tem outros seis dias. O que não se pode é declarar que sexo no sábado é pecado baseado em conceitos pessoais.
Bibliografia
1) Bachiocchi, Samuele. Divine Rest for Human Restlessnes,Edição do autor – Berrien Springs. Michigan 49-103, USA
2) Gardner, E. C.. Fé Bíblica e Ética Social – Juerp, RJ
3) Lahye, Tim e Berverly. O Ato Conjugal, Editora Betânia, Venda Nova – MG
4) Lawe, Frank e Stephan Olford – A Santidade do Sexo, Editora Fiel, São Paulo, SP
5) Francis Nichol, Ed, The Seventh-Day Adventist Bible Comentary, Vols. I e VIII
6) Charles Wittschiebe, God Invented Sex, Review and Herald Publishing Association, Nashville, Tennessee.
7) Kubo, Sakae. Theology Ethics of Sex, Review and Herald Publishing Association, Nashville, Tennessee – Washington – DC
Autor: Pr. Moisés Mattos - http://www.vidaadois.net -www.bloglarefamilia.blogspot.com
Fonte: Novo Tempo
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Calebe, o perseverante
Josué 14:6-14.
Todos temos objetivos, propósitos e até sonhos na vida que almejamos conquistar. Estes são os desafios da vida. Mas, para chegarmos lá, temos que passar por dificuldades e barreiras e, às vezes, temos que enfrentar e lutar sozinhos diante desses obstáculos e montanhas.
Três pensamentos devemos extrair deste texto:
1- Devemos perseverar e continuar perseverando.
2- O perseverante é incansável na batalha. Calebe, com 40 anos, lutava; com 85 anos, lutava com a mesma fé.
3- Calebe foi destemido, ousado e corajoso. Calebe significa “Aquele que permanece”.
Ser cristão é fácil, permanecer cristão é mais difícil. Requer mais entrega, mais submissão, conservar o espírito, permanecer na decisão, permanecer na visão, permanecer no seu propósito, nos seus sonhos. Permanecer é um verbo passivo. Cristo disse: “Permanecei em mim”. Queridos, não existe permanência em Cristo sem passarmos tempo com Cristo. Muita gente fala de Cristo, mas muita gente não toma posse de Cristo.
Por que alguns Israelitas não tomaram posse da terra prometida? Faltou coragem e vontade.
Cristianismo não é religião para covardes. Queriam uma religião fácil. Mas Calebe fez a diferença: não pediu os vales, pediu as montanhas.
Meu caro amigo, ao longo da vida subimos pequenos montes e, quando chegamos ao topo, descobrimos que diante de nós se levantam montanhas. Mas não desista de seus sonhos. Se a montanha parece alta demais, não vá pelo caminho mais fácil. Olhe para as montanhas!
Não siga o caminho da mediocridade. Olhe para as montanhas! Saia do vale do conformismo, largue as planícies da rotina e da monotonia. Atreva-se a subir a montanha. Subir a montanha não é fácil. Os pés podem sangrar. O suor corre pelo rosto, o cansaço toma conta do corpo.
Quando se olha para trás, às vezes dá a impressão de que não se subiu nada. Quando se olha para cima, dá a impressão de que está bem distante. Às vezes, há momento de desânimo. Subir a montanha não é fácil!
Quando chegar o momento de tomar decisões importantes na vida, por favor, não olhe o mais fácil, desafie a si mesmo porque, quando chegar lá em cima, você descobrirá que valeu a pena perseverar, valeu a pena persistir.
A vida é um permanente subir, até que um dia Deus lhe diga: “Filho, chega! Que bom que você não desistiu! Que bom que você perseverou e veio me abraçar. Eu te esperei com muita ansiedade e você está aqui. Entra no gozo do teu Senhor”.
Pastor Tufi Fernandes
Associação Amazônia Roraima – UNoB
Fonte : Novo Tempo
Todos temos objetivos, propósitos e até sonhos na vida que almejamos conquistar. Estes são os desafios da vida. Mas, para chegarmos lá, temos que passar por dificuldades e barreiras e, às vezes, temos que enfrentar e lutar sozinhos diante desses obstáculos e montanhas.
Três pensamentos devemos extrair deste texto:
1- Devemos perseverar e continuar perseverando.
2- O perseverante é incansável na batalha. Calebe, com 40 anos, lutava; com 85 anos, lutava com a mesma fé.
3- Calebe foi destemido, ousado e corajoso. Calebe significa “Aquele que permanece”.
Ser cristão é fácil, permanecer cristão é mais difícil. Requer mais entrega, mais submissão, conservar o espírito, permanecer na decisão, permanecer na visão, permanecer no seu propósito, nos seus sonhos. Permanecer é um verbo passivo. Cristo disse: “Permanecei em mim”. Queridos, não existe permanência em Cristo sem passarmos tempo com Cristo. Muita gente fala de Cristo, mas muita gente não toma posse de Cristo.
Por que alguns Israelitas não tomaram posse da terra prometida? Faltou coragem e vontade.
Cristianismo não é religião para covardes. Queriam uma religião fácil. Mas Calebe fez a diferença: não pediu os vales, pediu as montanhas.
Meu caro amigo, ao longo da vida subimos pequenos montes e, quando chegamos ao topo, descobrimos que diante de nós se levantam montanhas. Mas não desista de seus sonhos. Se a montanha parece alta demais, não vá pelo caminho mais fácil. Olhe para as montanhas!
Não siga o caminho da mediocridade. Olhe para as montanhas! Saia do vale do conformismo, largue as planícies da rotina e da monotonia. Atreva-se a subir a montanha. Subir a montanha não é fácil. Os pés podem sangrar. O suor corre pelo rosto, o cansaço toma conta do corpo.
Quando se olha para trás, às vezes dá a impressão de que não se subiu nada. Quando se olha para cima, dá a impressão de que está bem distante. Às vezes, há momento de desânimo. Subir a montanha não é fácil!
Quando chegar o momento de tomar decisões importantes na vida, por favor, não olhe o mais fácil, desafie a si mesmo porque, quando chegar lá em cima, você descobrirá que valeu a pena perseverar, valeu a pena persistir.
A vida é um permanente subir, até que um dia Deus lhe diga: “Filho, chega! Que bom que você não desistiu! Que bom que você perseverou e veio me abraçar. Eu te esperei com muita ansiedade e você está aqui. Entra no gozo do teu Senhor”.
Pastor Tufi Fernandes
Associação Amazônia Roraima – UNoB
Fonte : Novo Tempo
sexta-feira, 23 de julho de 2010
Como salvar seu casamento
A revista Época (17.O4.2010) publicou um excelente artigo de VAN MARTINS E KÁTIA MELLO sobre o desafio de manter um casamento. Interessante que mesmo com um numero grande de divórcios e recasamentos, a busca pelo par ideal, em que se possa ficar junto até o fim da vida, persiste como uma grande realidade. E que a maioria deseja uma única relação para sempre. Como fazer isso dar certo… Outra constatação interessante que os conceitos tradicionais sobre manutenção de relação ainda persistem em alta: conhecimento mútuo, dedicar tempo para a relação, fazer sexo, manter o amor companheiro, conversar com o outro e respeitar a individualidade. A seguir transcrevemos alguns trechos da reportagem.
O casamento. A boda. O matrimônio. O que essas palavras evocam são imagens tocantes e cenas de festa. Uma noiva sorrindo à beira de um lago, radiante em seu vestido branco de cetim que, embora ela não saiba, foi usado pela primeira vez pela rainha Vitória, da Inglaterra, em seu casamento com o príncipe Albert, em 1840. De lá para cá, as noivas no Ocidente vestem branco. E são rainhas por um dia.
Mas o casamento, a boda, o matrimônio – e mesmo a forma laica e informal de compromisso, a coabitação –, não se resume a uma festa. Depois da noite de núpcias, começa, para todos os casais, aquilo que o psiquiatra Alfredo Simonetti, ligado ao Hospital das Clínicas de São Paulo, descreve como “o sofrimento de viver a dois”: uma luta diária contra a natureza humana, que, ao mesmo tempo que atrai as pessoas para a vida conjugal, faz com que elas, rapidamente, se desapontem com as dificuldades do cotidiano a dois.
As estatísticas brasileiras são eloquentes a respeito tanto do fascínio quanto das agruras do casamento. Cerca de 1 milhão de pessoas se casam todos os anos no Brasil – e pouco mais de 250 mil se separam no mesmo período. Logo, de cada quatro casamentos, um termina em separação. Embora a estatística seja adversa, o risco não é suficiente para fazer as pessoas deixar de casar. Os números do IBGE mostram que a quantidade de uniões por 100 mil brasileiros aumenta um bocadinho a cada ano. Entre 1998 e 2008, o número de casamentos cresceu 34,8%, superando em 13 pontos porcentuais o crescimento vegetativo da população nessa faixa etária. Os divórcios e as separações, no mesmo período de dez anos, cresceram menos, 33%. A diferença é pouca, mínima na verdade, mas sugere que o sonho de casar está mais em alta que a vontade de se separar.
Há várias maneiras de olhar para essas estatísticas de casamento e separação. Uma delas é com otimismo: as pessoas se separam por que estão infelizes, e é bom que a lei facilite o afastamento. Antes de 2002, a separação judicial no Brasil, quando não era consensual, estava condicionada à comprovação de “culpa objetiva e específica” de uma das partes. Hoje em dia, qualquer motivo, mesmo fútil, é suficiente para que o juiz aceite a “impossibilidade de vida comum”. Os juízes entendem que, se uma das partes não quer, basta. Qualquer que seja a razão.
Outra forma de olhar para a mesma estatística é com alarme. Afinal, a cada casamento fracassado corresponde uma dose imensa de sofrimento humano. O divórcio, diz um estudo americano, só perde em termos de estresse para a morte de um cônjuge. É das piores experiências que as pessoas podem ter na vida. Para os filhos, a separação também é dolorosa. Cria períodos de terrível ansiedade. Quando se olha para além da família, a onda de separações tem como consequência social o empobrecimento das pessoas. Mães pobres que criam sozinhas seus filhos, como mostram pesquisas recentes, estão entre os poucos grupos sociais que não conseguiram se beneficiar da elevação geral da renda brasileira dos últimos anos. Parecem estar abaixo da possibilidade de ascensão.
As pesquisas sugerem que o sonho da maioria continua sendo um único casamento, que dure a vida inteira
Tudo isso seria mais ou menos irrelevante se homens e mulheres estivessem perfeitamente confortáveis com a ideia de casamentos seriais. Eles seriam intercalados por períodos miseráveis de separação e pelo êxtase da descoberta de uma nova parceira ou parceiro. Não é isso que a pessoas querem. Mesmo nos Estados Unidos, país que tem uma longa tradição de convívio com o divórcio, onde metade das uniões termina em separação (o dobro da taxa brasileira!), as pesquisas sugerem que o sonho da maioria continua sendo um único casamento longo e feliz, que abarque a existência, produza filhos e dê à vida de cada um dos cônjuges uma riqueza de sentido que ela não teria sozinha. As pessoas não se separam por ter superado essa aspiração romântica. Ao contrário, elas se afastam amarguradas por não conseguir atingir esse ideal. Em geral, quem faz isso é a mulher. Nos Estados Unidos, elas são responsáveis por dois terços dos pedidos de separação. No Brasil, essa proporção é ainda maior, 72%. Ao que tudo indica, para essas mulheres o sonho de felicidade no casamento não mudou. A realidade é que tem se revelado mesquinha.
Além do entretenimento de uma boa leitura, há no livro informações e ideias úteis para quem deseja iniciar ou preservar um casamento. A primeira coisa que ele atira pela janela é o romantismo. Casamento não é uma questão de paixão, afirma Gilbert. Bons casamentos não se ancoram numa erupção hormonal que desliga o senso crítico e faz do cérebro apaixonado algo parecido com o cérebro de um dependente químico (como está demonstrado por estudos de imagens de ressonância magnética!). Estatísticas americanas mostram que, quanto mais jovens as pessoas se casam, maior a chance de separação – e isso parece estar ligado à urgência e à instabilidade das paixões juvenis. Só depois dos 25 anos as estatísticas começam a ficar menos dramáticas. Tendo casado pela primeira vez aos 24 anos, depois de uma sequência de paixões avassaladoras, Gilbert parece saber do que está falando. Ela está separada desde 2002, mas ainda paga pensão mensal ao ex-marido, embora ele tenha se casado novamente, seja pai e vá lançar, em setembro, seu próprio livro de memórias, do qual se esperam grandes doses de veneno contra a ex-mulher e mantenedora. Ninguém com esse fardo biográfico é capaz de olhar para o casamento sem justificada má vontade.
Além da divisão das tarefas da casa, parece haver mais coisas a ser aprendidas com os casamentos sólidos – como a decisão de criar espaços exclusivos para o casal, que não incluam os filhos. Todos os especialistas dizem que isso é essencial para manter a chama do desejo e reforçar a sintonia. O comerciante Alexandre Cavalcante, de 36 anos, e a mulher Andréa Cristina, dona de casa, fazem assim: tiram duas semanas de férias por ano, sem as crianças. Eles têm Vanessa, de 16 anos, e Mateus, de 10. Vivem em Natal, no Rio Grande do Norte. “Em janeiro passado, nós dois fizemos um cruzeiro”, diz ele. O sucesso desse casamento é um desafio às estatísticas. A união começou com a gravidez de Andréa aos 18 anos e tinha tudo para acabar rápido. “Todos apostavam que não duraria seis meses”, diz Alexandre. Já dura 16 anos. Andréa, que agora tem 35, atribui isso ao fato de os dois conversarem muito. Ele acha que o essencial é a consciência de estar casado. “Casar é saber que não é só você”, afirma.
Outra ilusão que o livro se empenha em destruir é a completude. Não há um homem ou mulher, diz ela, que seja capaz de preencher a vida de cada um de nós. A pessoa que porá nosso mundo no lugar ou fará com que ele permaneça à deriva somos nós mesmos. O outro é um companheiro de viagem, não um pedaço de nosso corpo ou uma fração de nossa alma. Muito menos um guia. “Eu me recuso a sobrecarregar Felipe com a tremenda responsabilidade de me completar”, ela escreve. “Já lidei o suficiente com minhas falhas para saber que elas pertencem apenas a mim. Mas foi preciso mais de três décadas e meia para chegar a isso.”
Outra obsessão feminina à qual os maridos não costumam dar atenção é a intimidade. Para os homens, essa palavra tem uma conotação quase puramente física, enquanto no universo feminino intimidade significa um milhão de outras coisas. “Um nível profundo e psicológico de comunicação e reciprocidade”, por exemplo. Ou “um jeito de falar sobre si e de ser escutada pelo outro”. Ou, ainda, “um tipo de conversa especial, de entrega singular, de quem fala e de quem escuta”. Essa intimidade de atributos quase metafísicos, diz Mirian, está por trás de inúmeros pedidos de separação no Brasil. “A mulher casada há vários anos diz que não consegue mais ter intimidade com o marido”, afirma ela.
Virgílio Nascimento.
http://virgilionascimento.blogspot.com
Fonte :Novo Tempo
O casamento. A boda. O matrimônio. O que essas palavras evocam são imagens tocantes e cenas de festa. Uma noiva sorrindo à beira de um lago, radiante em seu vestido branco de cetim que, embora ela não saiba, foi usado pela primeira vez pela rainha Vitória, da Inglaterra, em seu casamento com o príncipe Albert, em 1840. De lá para cá, as noivas no Ocidente vestem branco. E são rainhas por um dia.
Mas o casamento, a boda, o matrimônio – e mesmo a forma laica e informal de compromisso, a coabitação –, não se resume a uma festa. Depois da noite de núpcias, começa, para todos os casais, aquilo que o psiquiatra Alfredo Simonetti, ligado ao Hospital das Clínicas de São Paulo, descreve como “o sofrimento de viver a dois”: uma luta diária contra a natureza humana, que, ao mesmo tempo que atrai as pessoas para a vida conjugal, faz com que elas, rapidamente, se desapontem com as dificuldades do cotidiano a dois.
As estatísticas brasileiras são eloquentes a respeito tanto do fascínio quanto das agruras do casamento. Cerca de 1 milhão de pessoas se casam todos os anos no Brasil – e pouco mais de 250 mil se separam no mesmo período. Logo, de cada quatro casamentos, um termina em separação. Embora a estatística seja adversa, o risco não é suficiente para fazer as pessoas deixar de casar. Os números do IBGE mostram que a quantidade de uniões por 100 mil brasileiros aumenta um bocadinho a cada ano. Entre 1998 e 2008, o número de casamentos cresceu 34,8%, superando em 13 pontos porcentuais o crescimento vegetativo da população nessa faixa etária. Os divórcios e as separações, no mesmo período de dez anos, cresceram menos, 33%. A diferença é pouca, mínima na verdade, mas sugere que o sonho de casar está mais em alta que a vontade de se separar.
Há várias maneiras de olhar para essas estatísticas de casamento e separação. Uma delas é com otimismo: as pessoas se separam por que estão infelizes, e é bom que a lei facilite o afastamento. Antes de 2002, a separação judicial no Brasil, quando não era consensual, estava condicionada à comprovação de “culpa objetiva e específica” de uma das partes. Hoje em dia, qualquer motivo, mesmo fútil, é suficiente para que o juiz aceite a “impossibilidade de vida comum”. Os juízes entendem que, se uma das partes não quer, basta. Qualquer que seja a razão.
Outra forma de olhar para a mesma estatística é com alarme. Afinal, a cada casamento fracassado corresponde uma dose imensa de sofrimento humano. O divórcio, diz um estudo americano, só perde em termos de estresse para a morte de um cônjuge. É das piores experiências que as pessoas podem ter na vida. Para os filhos, a separação também é dolorosa. Cria períodos de terrível ansiedade. Quando se olha para além da família, a onda de separações tem como consequência social o empobrecimento das pessoas. Mães pobres que criam sozinhas seus filhos, como mostram pesquisas recentes, estão entre os poucos grupos sociais que não conseguiram se beneficiar da elevação geral da renda brasileira dos últimos anos. Parecem estar abaixo da possibilidade de ascensão.
As pesquisas sugerem que o sonho da maioria continua sendo um único casamento, que dure a vida inteira
Tudo isso seria mais ou menos irrelevante se homens e mulheres estivessem perfeitamente confortáveis com a ideia de casamentos seriais. Eles seriam intercalados por períodos miseráveis de separação e pelo êxtase da descoberta de uma nova parceira ou parceiro. Não é isso que a pessoas querem. Mesmo nos Estados Unidos, país que tem uma longa tradição de convívio com o divórcio, onde metade das uniões termina em separação (o dobro da taxa brasileira!), as pesquisas sugerem que o sonho da maioria continua sendo um único casamento longo e feliz, que abarque a existência, produza filhos e dê à vida de cada um dos cônjuges uma riqueza de sentido que ela não teria sozinha. As pessoas não se separam por ter superado essa aspiração romântica. Ao contrário, elas se afastam amarguradas por não conseguir atingir esse ideal. Em geral, quem faz isso é a mulher. Nos Estados Unidos, elas são responsáveis por dois terços dos pedidos de separação. No Brasil, essa proporção é ainda maior, 72%. Ao que tudo indica, para essas mulheres o sonho de felicidade no casamento não mudou. A realidade é que tem se revelado mesquinha.
Além do entretenimento de uma boa leitura, há no livro informações e ideias úteis para quem deseja iniciar ou preservar um casamento. A primeira coisa que ele atira pela janela é o romantismo. Casamento não é uma questão de paixão, afirma Gilbert. Bons casamentos não se ancoram numa erupção hormonal que desliga o senso crítico e faz do cérebro apaixonado algo parecido com o cérebro de um dependente químico (como está demonstrado por estudos de imagens de ressonância magnética!). Estatísticas americanas mostram que, quanto mais jovens as pessoas se casam, maior a chance de separação – e isso parece estar ligado à urgência e à instabilidade das paixões juvenis. Só depois dos 25 anos as estatísticas começam a ficar menos dramáticas. Tendo casado pela primeira vez aos 24 anos, depois de uma sequência de paixões avassaladoras, Gilbert parece saber do que está falando. Ela está separada desde 2002, mas ainda paga pensão mensal ao ex-marido, embora ele tenha se casado novamente, seja pai e vá lançar, em setembro, seu próprio livro de memórias, do qual se esperam grandes doses de veneno contra a ex-mulher e mantenedora. Ninguém com esse fardo biográfico é capaz de olhar para o casamento sem justificada má vontade.
Além da divisão das tarefas da casa, parece haver mais coisas a ser aprendidas com os casamentos sólidos – como a decisão de criar espaços exclusivos para o casal, que não incluam os filhos. Todos os especialistas dizem que isso é essencial para manter a chama do desejo e reforçar a sintonia. O comerciante Alexandre Cavalcante, de 36 anos, e a mulher Andréa Cristina, dona de casa, fazem assim: tiram duas semanas de férias por ano, sem as crianças. Eles têm Vanessa, de 16 anos, e Mateus, de 10. Vivem em Natal, no Rio Grande do Norte. “Em janeiro passado, nós dois fizemos um cruzeiro”, diz ele. O sucesso desse casamento é um desafio às estatísticas. A união começou com a gravidez de Andréa aos 18 anos e tinha tudo para acabar rápido. “Todos apostavam que não duraria seis meses”, diz Alexandre. Já dura 16 anos. Andréa, que agora tem 35, atribui isso ao fato de os dois conversarem muito. Ele acha que o essencial é a consciência de estar casado. “Casar é saber que não é só você”, afirma.
Outra ilusão que o livro se empenha em destruir é a completude. Não há um homem ou mulher, diz ela, que seja capaz de preencher a vida de cada um de nós. A pessoa que porá nosso mundo no lugar ou fará com que ele permaneça à deriva somos nós mesmos. O outro é um companheiro de viagem, não um pedaço de nosso corpo ou uma fração de nossa alma. Muito menos um guia. “Eu me recuso a sobrecarregar Felipe com a tremenda responsabilidade de me completar”, ela escreve. “Já lidei o suficiente com minhas falhas para saber que elas pertencem apenas a mim. Mas foi preciso mais de três décadas e meia para chegar a isso.”
Outra obsessão feminina à qual os maridos não costumam dar atenção é a intimidade. Para os homens, essa palavra tem uma conotação quase puramente física, enquanto no universo feminino intimidade significa um milhão de outras coisas. “Um nível profundo e psicológico de comunicação e reciprocidade”, por exemplo. Ou “um jeito de falar sobre si e de ser escutada pelo outro”. Ou, ainda, “um tipo de conversa especial, de entrega singular, de quem fala e de quem escuta”. Essa intimidade de atributos quase metafísicos, diz Mirian, está por trás de inúmeros pedidos de separação no Brasil. “A mulher casada há vários anos diz que não consegue mais ter intimidade com o marido”, afirma ela.
Virgílio Nascimento.
http://virgilionascimento.blogspot.com
Fonte :Novo Tempo
sexta-feira, 16 de julho de 2010
Chuva volta a preocupar, e adventistas ampliam assistência a vítimas da enchente no Nordeste
A solidariedade adventista tenta trazer um pouco de esperança para essas pessoas. Fiéis da Região metropolitana do Recife enviaram kits de higiene pessoal, alimentos e água potável, suficientes para 200 famílias dos municípios de Palmares, Água Preta e Barreiros.
A sede da Ação Solidária Adventista em Pernambuco montou duas cozinhas de campanha, com capacidade para distribuir 400 refeições por dia. Existe uma em Barreiros e outra em Água Preta.
Em Alagoas, voluntários e oficiais da solidariedade adventista de Sergipe e Alagoas enviaram colchões, cestas básicas e água potável. Fiéis do estado sergipano fizeram um mutirão e enviaram um caminhão de donativos. Foram destinados 5 mil peças de roupas, minifogões para cozinhar os alimentos que estão sendo enviados, colchões e outros itens de urgência.
A situação continua crítica na área das enchentes. As ruas, cheias de lama, voltaram a ficar debaixo de água. Os números da tragédia crescem a cada momento. No Estado de Alagoas já são 34 mortes em decorrência dos temporais, que também obrigaram cerca de 75 mil pessoas a deixarem suas casas. Desses, 27 mil estão em abrigos públicos. 76 pessoas continuam desaparecidas.
Já em Pernambuco, são registradas 20 mortes, 27 mil desabrigados e mais de 55 mil desalojados. Muita gente está sendo obrigada a dormir na rua, por falta de abrigo. Também há 142 pontes danificadas devido às fortes chuvas. As duas últimas mortes confirmadas no estado são de uma criança de 2 anos e um homem de 34, nas cidades de Água Preta e de Gameleira, respectivamente.
É grande a necessidade de colchões nos abrigos. Roupas, água potável e produtos de higiene pessoal também se destacam como emergência para as pessoas à espera de ajuda. O setor de filantropia da Igreja Adventista disponibilizou uma conta bancária para receber doações em dinheiro.
Banco Bradesco
Agência 0291-7
C/C 109412-2
IANDBEAS – Emergência Nordeste.
Fonte: Novo Tempo
sábado, 10 de julho de 2010
COMO EXPRESSAR AMOR?
Já era tarde da noite e um tanto cansado voltava de mais uma viagem. Enquanto o metrô atravessava túneis e espaços urbanos, comecei a observar os casais. Logo a minha frente um casal ainda jovem trocava afagos contínuos acalorados por longos beijos e abraços. São jovens namorados, logo concluí. Um pouco mais à direita contemplei outro casal aparentando certa maturidade. Embora sentados lado a lado, estavam absortos e silentes. Pouco se tocavam e apenas vez por outra sussurravam algumas palavras. São casados, logo conclui. Ambos desceram na mesma estação e enquanto o casal mais jovem caminhava abraçado, o outro prosseguiu mantendo certa distância.
Ao analisar a incoerência daquele momento foi-me impossível não lembrar a frase de Simone de Beauvoir. Teria ela mesmo razão quando afirmou: “A grande tragédia do casamento é que ele mata as demonstrações de amor.” A frieza em expressar afeto e a ausência de toque parecem ser características de relacionamentos antigos. Já a proximidade e os afagos sempre marcam os amores que estão começando. O paradoxo é que justamente aquilo que deveria levar a um aumento do contato e da intimidade acaba por extingui-los. O tempo e a convivência que deveriam unir acabam muitas vezes por afastar e repelir. Por que grande parte dos relacionamentos dispensa o toque no decorrer dos anos? Por que muitos casais permitem que certa frieza e morbidez afetiva abrandem o desejo de se manter fisicamente unidos? Essas questões passaram a me intrigar.
Fonte: Vida a Dois
Ao analisar a incoerência daquele momento foi-me impossível não lembrar a frase de Simone de Beauvoir. Teria ela mesmo razão quando afirmou: “A grande tragédia do casamento é que ele mata as demonstrações de amor.” A frieza em expressar afeto e a ausência de toque parecem ser características de relacionamentos antigos. Já a proximidade e os afagos sempre marcam os amores que estão começando. O paradoxo é que justamente aquilo que deveria levar a um aumento do contato e da intimidade acaba por extingui-los. O tempo e a convivência que deveriam unir acabam muitas vezes por afastar e repelir. Por que grande parte dos relacionamentos dispensa o toque no decorrer dos anos? Por que muitos casais permitem que certa frieza e morbidez afetiva abrandem o desejo de se manter fisicamente unidos? Essas questões passaram a me intrigar.
Uma amarga realidade
Segundo o psiquiatra inglês Donald Winnicot, muitos conflitos emocionais da vida adulta estariam relacionados à falta de abraços e toques nos primeiros anos da infância. Inúmeros estudos sugerem que a disponibilidade de contato físico pode trazer benefícios à saúde física e mental, como o fortalecimento do sistema imunológico. Por sua vez, a ausência estaria relacionada a comportamentos patológicos como insegurança, pânico e até depressão.
Durante algum tempo atendendo casais que passavam por severas crises emocionais, pude constatar que o processo iniciava com uma ausência sutil e contínua de toques e afagos, até culminar com a decisão de separação. A ausência de toque estava sempre vinculada à falta de amor e cuidado pelo outro. O mal de muitos relacionamentos é permitir que a insuficiência de interesse e respeito vá produzindo certo distanciamento que se caracteriza por uma total ausência do desejo espontâneo de tocar-se. Muitos rejeitam o toque e a intimidade e constroem dentro de si bloqueios psicológicos que só se permitem tocar ou serem tocados na hora do sexo. Usam a frieza e o afastamento como um mecanismo de defesa para desviar-se da intimidade.
Uma estudante de psicologia passou a observar o número de toques fortuitos que um casal comum trocava por dia e ficou alarmada ao constatar a triste realidade. Na maioria dos casos, a freqüência era de apenas um toque por dia enquanto outros o aboliram totalmente em sua convivência diária. Ela também observou que demonstrações de afeto como abraçar-se, dar as mãos ou apoiar a cabeça no ombro do outro eram comportamentos mais característicos daqueles que desfrutavam de boa qualidade de vida conjugal.
No relacionamento familiar entre pais e filhos o toque está profundamente relacionado ao desenvolvimento do afeto e aceitação. Em outras palavras, aprendemos a amar quando também somos amados. Grande parte do afastamento entre pais e filhos se estabelece no período da adolescência. Nessa fase muitos pais privados pelo temor da intimidade ou pela ameaça do incesto acabam pensando que não devem tocar seus filhos. Cria-se então uma ruptura e indiferença que podem perdurar por anos, justamente num momento em que os filhos mais necessitam do fortalecimento das noções de amor e aceitação. Foi talvez por esse motivo que John Bowby, psicólogo inglês, afirmou que a ausência de toque pode também resultar na incapacidade de se manter vínculos afetivos com os outros.
Que fatores agiriam como desencadeantes da frieza e do afastamento? Que caminhos produzem a ruptura? Na minha experiência profissional pude constatar alguns deles:
Durante algum tempo atendendo casais que passavam por severas crises emocionais, pude constatar que o processo iniciava com uma ausência sutil e contínua de toques e afagos, até culminar com a decisão de separação. A ausência de toque estava sempre vinculada à falta de amor e cuidado pelo outro. O mal de muitos relacionamentos é permitir que a insuficiência de interesse e respeito vá produzindo certo distanciamento que se caracteriza por uma total ausência do desejo espontâneo de tocar-se. Muitos rejeitam o toque e a intimidade e constroem dentro de si bloqueios psicológicos que só se permitem tocar ou serem tocados na hora do sexo. Usam a frieza e o afastamento como um mecanismo de defesa para desviar-se da intimidade.
Uma estudante de psicologia passou a observar o número de toques fortuitos que um casal comum trocava por dia e ficou alarmada ao constatar a triste realidade. Na maioria dos casos, a freqüência era de apenas um toque por dia enquanto outros o aboliram totalmente em sua convivência diária. Ela também observou que demonstrações de afeto como abraçar-se, dar as mãos ou apoiar a cabeça no ombro do outro eram comportamentos mais característicos daqueles que desfrutavam de boa qualidade de vida conjugal.
No relacionamento familiar entre pais e filhos o toque está profundamente relacionado ao desenvolvimento do afeto e aceitação. Em outras palavras, aprendemos a amar quando também somos amados. Grande parte do afastamento entre pais e filhos se estabelece no período da adolescência. Nessa fase muitos pais privados pelo temor da intimidade ou pela ameaça do incesto acabam pensando que não devem tocar seus filhos. Cria-se então uma ruptura e indiferença que podem perdurar por anos, justamente num momento em que os filhos mais necessitam do fortalecimento das noções de amor e aceitação. Foi talvez por esse motivo que John Bowby, psicólogo inglês, afirmou que a ausência de toque pode também resultar na incapacidade de se manter vínculos afetivos com os outros.
Que fatores agiriam como desencadeantes da frieza e do afastamento? Que caminhos produzem a ruptura? Na minha experiência profissional pude constatar alguns deles:
Orgulho
Muitos conflitos do relacionamento produzem marcas e ferimentos na mente e no coração. Quando ofendida, é natural que uma das partes se ressinta. Nesse aspecto pode ser perigoso estar certo, pois é geralmente a parte que se julga certa, a mais resistente ao perdão e a reaproximação. O orgulho sempre produz afastamento e nunca a união. O orgulhoso pode permanecer impassível, incapaz de retratar-se, enquanto o coração está carente de afeto e compreensão.
Muitos conflitos do relacionamento produzem marcas e ferimentos na mente e no coração. Quando ofendida, é natural que uma das partes se ressinta. Nesse aspecto pode ser perigoso estar certo, pois é geralmente a parte que se julga certa, a mais resistente ao perdão e a reaproximação. O orgulho sempre produz afastamento e nunca a união. O orgulhoso pode permanecer impassível, incapaz de retratar-se, enquanto o coração está carente de afeto e compreensão.
Ressentimento
O orgulho e a mágoa quando cultivados e alimentados produzem o ressentimento que é uma resistência em perdoar e esquecer. Como podemos amar e tocar ternamente alguém que nos ofende ou nos agride com palavras ou até fisicamente? Como tocar sem asco ou receio a pessoa que tantas vezes nos magoa ou nos rejeita com sua indiferença? Certas atitudes e comportamentos podem instalar a mágoa no coração tornando impossível amar com afetuosidade. O ressentimento pode extinguir o desejo de aproximação e de toque e caso não seja superado pode acabar com o mais promissor relacionamento.
O orgulho e a mágoa quando cultivados e alimentados produzem o ressentimento que é uma resistência em perdoar e esquecer. Como podemos amar e tocar ternamente alguém que nos ofende ou nos agride com palavras ou até fisicamente? Como tocar sem asco ou receio a pessoa que tantas vezes nos magoa ou nos rejeita com sua indiferença? Certas atitudes e comportamentos podem instalar a mágoa no coração tornando impossível amar com afetuosidade. O ressentimento pode extinguir o desejo de aproximação e de toque e caso não seja superado pode acabar com o mais promissor relacionamento.
Ausência de comunicação.
É praticamente impossível manter a atração e o desejo de tocar quando não existe um processo de comunicação aberta e sincera no relacionamento. Isto significa que sem a capacidade de criar espaços para expressão dos sentimentos ou de prover canais para a descarga emocional o desejo e o interesse pelo toque podem permanecer bloqueados. Sem a capacidade de comunicar alegrias, tristezas e temores, a própria intimidade perde a atratividade se transformando num processo frio e mecânico.
É praticamente impossível manter a atração e o desejo de tocar quando não existe um processo de comunicação aberta e sincera no relacionamento. Isto significa que sem a capacidade de criar espaços para expressão dos sentimentos ou de prover canais para a descarga emocional o desejo e o interesse pelo toque podem permanecer bloqueados. Sem a capacidade de comunicar alegrias, tristezas e temores, a própria intimidade perde a atratividade se transformando num processo frio e mecânico.
Vontade e tempo.
A maior dádiva que podemos oferecer em um relacionamento é dar- nos a nós mesmos e isto requer entrega vontade. Todo o processo de amar também envolve tempo. Na roda viva e agitada em que vivemos é mais fácil deixar que os compromissos e as obrigações nos privem do aconchego. Por vezes são as preocupações com o trabalho, com os filhos e com as dívidas. Tudo isto pode gradativamente nos envolver a ponto de não encontramos tempo, espaço ou interesse pela aproximação ou pelo toque.
Muitos casais deixam de tocar-se simplesmente porque elegem outras preferências, e assim, perdem o interesse e a vontade de fazê-lo. Priorizam outras necessidades em detrimento do relacionamento. E o “namoro” fica delegado a um segundo plano. São as muitas preocupações e a rotina da convivência que acabam por aniquilar o interesse e a vontade de dedicar amor e cuidado um ao outro.
A maior dádiva que podemos oferecer em um relacionamento é dar- nos a nós mesmos e isto requer entrega vontade. Todo o processo de amar também envolve tempo. Na roda viva e agitada em que vivemos é mais fácil deixar que os compromissos e as obrigações nos privem do aconchego. Por vezes são as preocupações com o trabalho, com os filhos e com as dívidas. Tudo isto pode gradativamente nos envolver a ponto de não encontramos tempo, espaço ou interesse pela aproximação ou pelo toque.
Muitos casais deixam de tocar-se simplesmente porque elegem outras preferências, e assim, perdem o interesse e a vontade de fazê-lo. Priorizam outras necessidades em detrimento do relacionamento. E o “namoro” fica delegado a um segundo plano. São as muitas preocupações e a rotina da convivência que acabam por aniquilar o interesse e a vontade de dedicar amor e cuidado um ao outro.
Insatisfação.
Muitos rejeitam o toque porque também rejeitam consciente ou inconscientemente o parceiro. Questões de caráter pessoal, de higiene ou de temperamento podem deflagrar em afastamento. A insatisfação sexual, principalmente quando o outro é visto como um objeto, quando sexo é um processo frio e mecânico não prazeroso ou quando há uma rejeição física com algum aspecto do parceiro podem também produzir afastamento e desinteresse pelo toque na vida diária.
Muitos rejeitam o toque porque também rejeitam consciente ou inconscientemente o parceiro. Questões de caráter pessoal, de higiene ou de temperamento podem deflagrar em afastamento. A insatisfação sexual, principalmente quando o outro é visto como um objeto, quando sexo é um processo frio e mecânico não prazeroso ou quando há uma rejeição física com algum aspecto do parceiro podem também produzir afastamento e desinteresse pelo toque na vida diária.
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OS CAMINHOS PARA A RESTAURAÇÃO
Nos últimos tempos alguns pesquisadores das Universidades de Miami, Duke e Harvard apontaram para o toque como agente curativo, pois, pode produzir alterações neuroquímicas no organismo. O fato é que todos os órgãos do corpo (inclusive a pele) possuem terminações nervosas que estão ligadas ao cérebro. Baseado nessas afirmações é possível propor algumas propriedades do uso do toque como um poderoso restaurador de relacionamentos:
1. Tome a iniciativa:
Quando decidimos renovar o toque no relacionamento o mais difícil é começar. Imaginamos sempre que essa função pertença ao outro, mas a hesitação e o receio em iniciar o processo podem fazer com que o afastamento se solidifique. Precisamos começar mesmo sob o risco de sermos rejeitados ou mal compreendidos no início. Se o toque é um remédio e nós nos recusamos a usá-lo podemos refletir orgulho e até crueldade em não iniciar o seu uso.
2. Dialogue e resolva os conflitos:
As amarguras e a ira não devem permanecer ocultas, devem ser expressas com inteligência emocional. Remoer mágoas e ressentimentos não cura um relacionamento doentio. Conflitos podem ser oportunidades para o crescimento e o amadurecimento. Precisamos estar abertos ao diálogo e à mudança, quando necessário. Precisamos abrir as vias para a comunicação íntima e sincera a fim de criar condições para o aconchego e toques ternos e sinceros.
3. Desvincule toque de sexo
Para muitos o toque está sempre ligado a uma conotação sexual e por isso só se permitem ser tocados no momento de intimidade. Se quisermos, porém, despertar o desejo e o interesse pela aproximação precisa-se separar o toque dos apelos sexuais. Estudos revelam que são principalmente o toque e a carícia realizados em momentos considerados neutros, que exercem mais poder sobre a qualidade de vida sentimental.
Há pouco tempo conversei com um terapeuta sexual que cuidou de muitos casais com impotência sexual, por meio do resgate do uso do toque. Ele aconselhava ao casal permanecer por cerca de um mês apenas namorando e se tocando, porém, sem penetração. Muitos casais por meio desse processo nas preliminares viram o desejo e o interesse pela intimidade sexual retornar ao casamento.
Há pouco tempo conversei com um terapeuta sexual que cuidou de muitos casais com impotência sexual, por meio do resgate do uso do toque. Ele aconselhava ao casal permanecer por cerca de um mês apenas namorando e se tocando, porém, sem penetração. Muitos casais por meio desse processo nas preliminares viram o desejo e o interesse pela intimidade sexual retornar ao casamento.
4. Dedique tempo
Para que se inicie o processo do toque é necessário tempo e vontade. Mesmo o toque casual, inicialmente, requer certa dose de empenho. Em muitos casos é necessário que se decida voltar aos primeiros anos da paixão reservando um momento, um lugar ou um horário para o toque e o aconchego. O amor e o desejo nem sempre são processos que ocorrem de maneira natural. Algumas vezes requer o uso da vontade e, acima de tudo, muita disposição para realizá-los.
Para que se inicie o processo do toque é necessário tempo e vontade. Mesmo o toque casual, inicialmente, requer certa dose de empenho. Em muitos casos é necessário que se decida voltar aos primeiros anos da paixão reservando um momento, um lugar ou um horário para o toque e o aconchego. O amor e o desejo nem sempre são processos que ocorrem de maneira natural. Algumas vezes requer o uso da vontade e, acima de tudo, muita disposição para realizá-los.
5. Perdoe
Não podemos despertar o interesse pelo toque e a aproximação enquanto o coração permanece crivado pela mágoa e pelo ressentimento. Só o perdão puro e sincero abre caminhos para a verdadeira entrega. Decidir perdoar e esquecer pode ser uma das mais difíceis decisões a serem tomadas, por vezes até um ato heróico, contudo, é um processo vital para a restauração de qualquer relacionamento.
O processo de amar e conviver nunca serão uma experiência lógica e óbvia, porém, precisamos sempre investir em seu aperfeiçoamento. Desejo concluir, com um trecho da famosa poesia de Phillis K. Davis, Por favor, me toque:
Se sou o seu cônjuge, por favor, me toque.
Talvez você pense que sua paixão basta,
Mas só os seus braços detêm meus temores.
Preciso do seu toque terno e confortador
Para me lembrar de que eu sou amado apenas por que...
eu sou.
O processo de amar e conviver nunca serão uma experiência lógica e óbvia, porém, precisamos sempre investir em seu aperfeiçoamento. Desejo concluir, com um trecho da famosa poesia de Phillis K. Davis, Por favor, me toque:
Se sou o seu cônjuge, por favor, me toque.
Talvez você pense que sua paixão basta,
Mas só os seus braços detêm meus temores.
Preciso do seu toque terno e confortador
Para me lembrar de que eu sou amado apenas por que...
eu sou.
Eronildes Conceição Palmeira de Nicola
Pedagogo e Psicólogo
Pedagogo e Psicólogo
Fonte: Vida a Dois
“Quebrando o Silêncio” ganha reconhecimento no Dia da Mulher
São Paulo, SP… [ASN] Uma pesquisa realizada pela Sociedade Mundial de Vitimologia constatou que 23% das mulheres brasileiras estão sujeitas à violência doméstica. O número foi averiguado a partir da pesquisa de violência doméstica em 138 mil mulheres de 54 países. Dos países pesquisados o Brasil é o país que mais sofre com a violência doméstica.
Para combater o crescimento desse problema, o departamento da Mulher da Igreja Adventista desenvolveu o projeto “Quebrando o Silêncio”, contra o abuso e violência de mulheres, idosos e crianças.
O projeto conquistou reconhecimento na sociedade brasileira, como na sexta-feira, 5 de março, com a entrega da medalha do Prêmio Ruth Cardoso. O prêmio foi criado em homenagem a Ruth Cardoso, esposa do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, representando a integração entre todos os setores da sociedade brasileira, em prol da justiça social.A presidente do Conselho Estadual da Condição Feminina, Rosemary Corrêa, esclarece que a medalha foi criada através de um decreto do Governo do estado de São Paulo para agraciar pessoas que realizem algum trabalho social em prol das mulheres. Ela ainda lembra que o nome dos agraciados é publicado em diário oficial.
A diretora do departamento da Mulher para o estado de São Paulo, Sônia Rigoli, ressalta que esta é a primeira vez que uma igreja recebe o prêmio. “Geralmente esse prêmio é concedido para uma pessoa física, uma ONG ou uma instituição, mas não uma igreja. Receber esse prêmio é um reconhecimento do trabalho que fazemos. Um trabalho de conscientização”, completa.
A Medalha “Ruth Cardoso” foi instituída pelo estado de São Paulo em 24 de novembro de 2008. Quatro participantes do Conselho Estadual da Condição Feminina encaminham ao governador a escolha de quem será homenageado a cada ano.Uma das conselheiras do Conselho Estadual da Condição Feminina, Meire Rocha, ressalta que indicou o “Quebrando o Silêncio” para receber a medalha devido ao trabalho de conscientização de violência doméstica. “Apresentei o projeto para o conselho como indicação para receberem a medalha e todos aprovaram”, garante.
Em 2009, o departamento da Mulher da Igreja Adventista foi convidado para ser homenageado na cerimônia de entrega das medalhas, no entanto não recebeu o prêmio. Na ocasião, as organizadoras do evento receberam uma Bíblia da Mulher e a revista “Quebrando o Silêncio”. [Equipe ASN - Gislaine Westphal]
Fonte: Quebrando o Silêncio
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Fonte:Crepúsculo
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